Acordo Mercosul–União Europeia em 2026: O que Muda no Bolso do Brasileiro (de Verdade)

1/13/20263 min ler

2026 já chegou e, depois de décadas de negociação, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia avançou de forma importante na Europa. O Conselho da UE autorizou a assinatura do pacote e também um Acordo Provisório de comércio, pensado para antecipar parte dos benefícios econômicos.

Mas o que isso significa na prática para você, no supermercado, na compra de um carro ou quando pensa em emprego e preços no Brasil?

1) Primeiro, em que etapa o acordo está

A UE deu aval político e institucional para avançar com a assinatura. Ainda assim, o caminho “completo” envolve novas etapas: o acordo precisa passar pelo Parlamento Europeu e, para entrar em vigor integralmente, depende de processos de ratificação nas partes envolvidas.

Há ainda uma discussão relevante: autoridades europeias afirmaram que parte do acordo pode ser aplicada antes da aprovação final do Parlamento Europeu, justamente por existir um instrumento provisório de comércio.

2) O coração do acordo: tarifas caindo aos poucos

Na essência, o acordo reduz barreiras e tarifas dos dois lados:

  • O Mercosul deve eliminar tarifas sobre 91% das exportações da União Europeia (incluindo automóveis) ao longo de até 15 anos.

  • A União Europeia deve eliminar tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul ao longo de até 10 anos.

Além disso, existem cotas e regras específicas para produtos sensíveis. Exemplo: a UE prevê cota adicional para carne bovina e o Mercosul prevê cota isenta de imposto para queijos europeus.

3) O que pode ficar mais barato no Brasil

O ponto mais intuitivo para o consumidor brasileiro é este: com tarifas menores, o Brasil tende a ter mais competição de produtos europeus e isso pode pressionar preços para baixo em alguns itens importados ou de forte influência europeia.

Alguns exemplos que costumam ser citados quando se fala de redução de tarifas e abertura comercial:

  • Vinhos e destilados (hoje com tarifas elevadas)

  • Queijos e produtos premium de alimentação (com cotas e regras)

  • Bens industrializados com grande presença europeia, como parte do setor automotivo, químicos e farmacêuticos, além de maior abertura em serviços e compras públicas no pacote comercial

Na prática, você não verá “milagre de preço” do dia para a noite. Como as reduções são graduais, o impacto tende a ser progressivo e depende de câmbio, logística e repasse.

4) O que pode subir no Brasil (sim, existe esse risco)

Aqui entra um efeito colateral importante, muito comentado quando um país amplia acesso a mercados ricos.

Se exportar ficar mais atrativo para determinados setores (por exemplo, proteínas), produtores podem comparar vender aqui versus vender lá fora. Isso pode pressionar preços domésticos em alguns alimentos, especialmente se a demanda externa aumentar e a oferta interna não acompanhar.

De novo: não é automático, nem imediato, mas é um risco real que faz parte do “jogo de mão dupla” da abertura comercial. (Esse ponto aparece com força no debate público e é uma das razões de controvérsia.)

5) Quem tende a ganhar e quem tende a sentir mais

De forma simplificada:

Tende a ganhar (Brasil)

  • Setores exportadores com acesso a um mercado grande e mais previsível

  • Empresas que já exportam e podem ampliar presença em um mercado sofisticado

Pode sentir mais (Brasil)

  • Setores industriais menos produtivos, que competem com produtos europeus

  • Produtores locais de itens onde a Europa é muito forte, especialmente quando o diferencial está em escala, marca e cadeias consolidadas

Esse é o ponto-chave: abrir mercado pode ser ótimo para o consumidor e para quem exporta, mas também exige ajustes internos para evitar perda de competitividade.

6) Por que dá controvérsia: agricultura, salvaguardas e regras ambientais

Parte da resistência europeia vem do medo de concorrência no agro e de questões ambientais. Do lado da UE, o pacote prevê salvaguardas para setores sensíveis e mecanismos de resposta a distorções de mercado.

E há o componente ambiental: para vender mais para a Europa, vários exportadores precisam atender exigências e padrões. Para alguns setores, isso significa custo e adaptação. Para outros, significa oportunidade de elevar padrão e acessar um mercado premium.

7) O que o consumidor brasileiro pode fazer agora

Se você quer transformar esse tema em decisão prática, aqui vão ações simples:

  1. Acompanhe categorias com chance de maior concorrência (vinhos, queijos, azeites, alguns bens industrializados) e observe a tendência de preço ao longo do ano.

  2. Em períodos de real mais forte, importados tendem a ficar mais acessíveis. Em real fraco, parte do benefício some.

  3. Se você investe, acompanhe setores: exportadores e empresas com cadeia internacional podem ter vento a favor, enquanto setores protegidos podem enfrentar competição. (Sem promessas, só leitura de cenário.)

Conclusão
O acordo abre portas grandes para o Brasil, mas não é “bom ou ruim” por definição. O resultado no bolso do brasileiro depende de implementação, prazos, câmbio, produtividade e de como o país se adapta.

Aviso: este texto é informativo e não é recomendação de investimento.